segunda-feira, 6 de junho de 2016

O Fruto do Espírito e o caráter cristão

 Em um de seus últimos ensinamentos aos discípulos, Jesus discorreu sobre a importância da frutificação espiritual (Jo 15.1-5). O Mestre fez uma analogia da videira e seus ramos com Ele e o crente, para ensinar que este precisa daquEle, afim de tornar-se semelhante a Cristo. É o Espírito Santo que produz o fruto em nós à proporção que lhe entregamos a vida.
 Para que o fruto seja gerado, é necessário que haja uma relação de interdependência entre o tronco e seus ramos. Jesus declarou aos discípulos que viera ao mundo com a missão de revelar-lhes o Pai, e que, ao partir, enviaria o Espírito Santo para estar com eles, ajudando-os em todas as coisas. Assim como Jesus fez-se homem para revelar o Pai à humanidade, o Espírito habita no crente a fim de que Cristo seja conhecido (1 Co 6.19).
 O princípio da frutificação encontra-se a partir de Gênesis 1.1. Notamos que cada planta e árvore devia produzir fruto segundo a sua espécie.
 A frutificação espiritual segue a mesma regra. João Batista exigiu de seus discípulos: "Produzi frutos dignos de arrependimento" (Mt 3.8). Em João 15.1-16, Jesus enfatizou este princípio esclarecendo aos seus seguidores que, a fim de desenvolverem espiritualmente, precisavam apresentar abundante fruto para Deus.
 De que tipo de fruto Jesus estava falando? A resposta encontra-se em Gálatas 5.2. Por conseguinte, o fruto do Espírito desenvolve no crente um caráter semelhante ao de Cristo, que reflete a imagem de sua pessoa e a natureza santa de Deus.
 Quando o crente não se submete ao Espírito, cede aos desejos da natureza pecaminosa. Mas, ao permitir que Ele controle nossas vidas, torna-se um solo fértil, onde o fruto é produzido. Mediante o Espírito, conseguimos vencer os desejos da carne e viver uma vida frutífera. O resultado é uma vida controlada pelo Espírito.
 Cada um produz um fruto segundo a sua espécie. Em João 14.16, lemos as palavras de Jesus aos discípulos: "Eu rogarei ao Pai, e ele vos enviará outro Consolador, para que fique convosco para sempre". A palavra outro, no original denota "outro da mesma espécie". O Espírito Santo é da mesma espécie de que Jesus. Logo, é de sua natureza produzir um caráter semelhante ao de Cristo no crente. É da natureza da carne pecaminosa produzir maldade.
 Mas qual o propósito? 
 Expressar o caráter de Cristo, através da revelação do fruto com relação a árvore de origem. Quando as pessoas tomam conhecimento de nossa confissão cristã, podemos vir a ser a única bíblia que muitas delas "lerão".
 Evidenciar o discipulado, intermediado pela confirmação do ensino prático do dar "muito fruto", a fim de sermos reconhecidos como discípulos de Cristo (Jo 15.8). Ele ressaltou que todo discípulo instruído será como o seu mestre (Lc 6.40). Isto significa que não é o bastante aceitar Jesus para afirmar: "Veja, sou crente!" Ele deseja que produzamos muito fruto. Se assim fizermos, estaremos demonstrando que verticalmente somos seus discípulos.
 Abençoar outras pessoas, ao manifestar o fruto estamos abençoando os ímpios que nos cercam e também os crentes que vêem a evidência do fruto espiritual em nós.
 Glorificar a Deus (Jo 15.8), por meio uma vida abundante em Cristo, resultado da frutificação do Espírito. Quando permitimos que a imagem dEle seja refletida em nós, as pessoas glorificam a Deus (Mt 5.16).
 Quando entregamos todo o controle de nossa vida ao Espírito Santo, Ele, infalivelmente, vai produzir o seu fruto em nós através de uma ação contínua e abundante. Como cristão, tudo que concerne ao caráter santificado, ou seja, a nossa semelhança com Cristo, é a obra do Santo Espírito até que Cristo seja formado em vós" (Gl 4.19).

 Sempre em Cristo,

 Josebias.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Cristologia (4)

Jesus e suas duas naturezas

   "Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amem!" Rm 9.5.

   Assim como é heresia negar a divindade de Cristo, também é heresia negar-lhe a humanidade. A natureza divina e a humana estão juntas na pessoa única de Jesus Cristo.
   Nesse estudo vamos abordar as duas naturezas de Cristo: a humana e a divina. Jesus viveu entre nós, empregando as qualificações e características humanas, exceto o pecado. Como Deus, Ele manifestou todo poder e glória. Ele é o Eterno e verdadeiro Deus, e ao mesmo tempo, verdadeiro e perfeito homem, algo desconhecido na raça humana devido à Queda no Éden.
  
   1) A natureza humana. A Bíblia trata de Jesus como homem quando Dele como sendo da semente da mulher, ou seja, que teria, em sua encarnação, a natureza humana (Gn 3.15). Quando Gabriel anunciou a Maria que ela seria a mãe do Messias, Maria alegrou-se porque teria um filho. De acordo com Rm 1.1-7, o apóstolo Paulo aborda a expressão: "Nasceu da descendência de Davi segundo a carne", usada amiúde, revela a identificação de Jesus com a humanidade. Ele emprega o termo "carne" com esse mesmo sentido em Rm 9.5. Era conveniente que Jesus viesse ao mundo como homem; se assim não fora, não poderia sofrer e, por conseguinte ser o Salvador da humanidade (Hb 2.17). Além disso a Bíblia mostra a humanidade de Jesus, inclusive sa linhagem (Sl 22.22; fp 2.6-11; 1 Tm 2.5; 2 Tm 2.8). Sua genealogia encontra-se em Mt 1.1-17 e Lc 3.2-38.
   Os Evangelhos apresentam algumas características humanas, ou seja, atributos próprios da humanidade de Jesus. Embora gerado por ato sobrenatural do Espírito Santo, o Metre nascera de uma mulher (Mt 1.18, 20; Lc 1.35) e teve irmãos e irmãs (Mt 12.47; 13.55-56). Sentiu sono, fome, sede e cansaço (Mt 21.18; Mc 4.38; Jo 4.6; 19.28). Sofreu, chorou, angustiou-se (Mt 26.37; Lc 19.41; Hb 13.12) e, por fim, passou pela agonia da morte. Mas, ressuscitou glorioso, poderoso e triunfante ao terceiro dia (1 Co 15.3,4).

   2) A natureza divina. Jesus é Deus desde a eternidade. Esteve envolvido no ato da criação, indicando que já existia antes dela. Paulo confirma sua atuação criadora: "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra... Tudo foi criado por ele e para ele", Cl 1.16. A expressão "Filho de Deus", conforme vimos em Cristologia (3), é uma das revelações da divindade de Jesus (Jo 5.18, 10.33-36). O Senhor Jesus declarou "ser um com o Pai"; isso significa ser o mesmo Deus e não a mesma pessoa (Jo 10.30). A divindade de Cristo é ensinada em toda a Bíblia de maneira direta: "e o verbo era Deus" (Jo 1.1), "este é o verdadeiro Deus e a vida eterna" (1 Jo 5.20) e, também, através dos seus atributos divinos, tais como onipresença, onipotência, onisciência, eternidade entre outros (Mt 18.20; 28.18; Jo 21.17; Hb 13.8).
   Jesus nunca disse "eu acho", "eu penso", "eu suponho"; jamais afirmou não poder resolver este ou aquele problema. Para o Mestre, não há impossível. Jesus não somente declarou ser Deus, mas revelou suas qualidades divinas, demonstrando seu poder sobre a natureza, o pecado, as enfermidades, o inferno, e a morte. Os Evangelhos estão repletos de suas manifestações divinas e sobrenaturais (Lc 24.19; At 2.22). Há vários exemplos desse, como perdoando pecados (Lc 5.21, 24) e por diversas vezes recebendo adoração (Mt 8.2; 9.18; Jo 9.38). Ele afirmou ser o grande "Eu Sou": antes que Abraão existisse, eu sou" (Êx 3.14; Jo 8.58).
   
* A encarnação de Cristo                 Jo 1.14
* A concepção virginal de Cristo     Mt 1.23
* A tentação de Cristo                      Mt 4.1-10
* O ministério de Cristo                   Mt 4.23
* A paixão de Cristo                         Lc 23.26-48
* A ressurreição de Cristo                Jo 20.1-10

   O Apóstolo Paulo sabia sintetizar, de forma singular a vida de Nosso Senhor em 1 Tm 3.16. "E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo e recebido acima, na glória".
   Esse é o Cristo que anunciamos. Somente nEle e através dEle pode o ser humano obter a vida eterna. Sem Cristo, ninguém chegará a Deus. Amém.
 
   Sempre em Cristo,
   Josebias Onorato

Acompanhe a série:
Cristologia (1) - Jesus , quem é este homem?
Cristologia (2) - Jesus o Verbo de Deus
Cristologia (3) - Jesus o Filho de Deus