sábado, 3 de maio de 2014

Divórcio Ministerial

  Juízo sobre os pastores

Ele... purificará os levitas e os refinará como ouro e prata. Assim trarão ao SENHOR ofertas com justiça. Ml 2.17-3.5 


 Em uma igreja antiga, o pregador entrava por uma porta lateral para subir os degraus que conduziam à tribuna. Ao fazê-lo, conta ao zelador ancião as grandes descobertas teológicas que pretendia compartilhar com a igreja, e como aquelas palavras poderosas irão impactar as pessoas presentes. Todavia, nem tudo sai como ele havia imaginado. Ao descer, humilhado, ouve o sábio ancião: "Se você tivesse subido estes degraus como os desceu, então poderia descê-los assim como os subiu!".
  Os pastores da época de Malaquias também precisavam ouvir essa exortação. Ao ministrarem ao povo, estavam eles mesmos sendo reprovados (1Co 9.27), pois eles também estavam sendo desleais, casando-se com mulheres estrangeiras, divorciando-se e descrendo do juízo de Deus. Não se preparavam apropriadamente, purificando-se primeiro a si mesmos, antes de procederem à purificação do povo. Nas palavras de Isaías, são pastores sem entendimento; todos seguem seu próprio caminho, cada um procura vantagem própria (Is 56.11).
No entanto, Malaquias profetiza o "refinamento" de Deus na vida desses pastores, o qual ocorreu alguns anos depois, por meio do ministério de Esdras e Neemias. E, na missão da igreja do Novo Testamento, ... também um grande número de sacerdotes obedecia à fé (At 6.7).
  Que tal continuarmos essa história em nossos dias? Sermos também sacerdotes, pastores que obedecem à Palavra e "sobem" humildemente os "degraus" do ministério? Que se purificam primeiro a si mesmos sob o sangue do Salvador? Que não se amoldam ao padrão deste mundo, mas transformam-se pela renovação da sua mente (Rm 12.2)?

Sempre em Cristo,Josebias 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Éden antes do Gênesis? Será?

  O Jardim do Éden realmente existiu antes da narrativa de Gênesis, como dá a entender a passagem de Ezequiel 28.13?
  Os bons interpretes da Bíblia entendem que o Éden a que se refere o texto de Ezequiel 28.13 não é o mesmo relato do Gênesis. Esse Éden de Ezequiel refere-se a um outro jardim, que era governado pelo querubim perfeito Lúcifer, antes da sua queda. Temos de admitir, entretanto, que por mais brilhantes que sejam as interpretações dos eventos pré-adâmicos, elas não passam de especulação, pois a Bíblia não dá detalhes sobre os acontecimentos ocorridos na aurora do tempo.
  Entendem esses intérpretes que em Gênesis 1.1 o texto se refere à criação original  dos céus e da Terra, evidentemente uma terra pré-adâmica, pois somente muito depois Adão foi criado. Em outras palavras, a expressão "No princípio", em Gênesis 1.1, está fora do tempo dos seis dias da Criação, que vai de 1.3 a 2.25.
 A palavra "e", do versículo 2 do primeiro capítulo de Gênesis, indica que a obra citada neste versículo, isto é, a Terra sem forma e vazia, resultou de eventos independentes. Isso quer dizer que, entre os versículos 1 e 2, ocorreram catástrofes que transtornaram a obra criada "no princípio" por Deus. Uma tradução mais fiel ao original seria "e a Terra tornou-se sem forma e vazia". O verbo hebraico que foi traduzido por "era" é hayah, o mesmo traduzido para tornar-se logo adiante, no versículo 7:"o homem tornou-se alma vivente" , e como transformar-se em Gênesis 19.26:"a mulher de Ló foi transformada numa estátua de sal".
  Em Isaías 45.18, encontramos o profeta dizendo claramente que Deus não criou a Terra para ser vazia, mas a formou para que fosse habitada. Então, que eventos a teriam esvaziado? Embora devamos respeitar o silêncio da Bíblia, não podemos fugir à imaginação e à curiosidade humanas, que querem saber mais. Não podemos furtar-nos à especulação. Este mundo pré adâmico foi arrasado durante a revolta dos anjos, de que nos fala Isaías 14.12-14 e Ezequiel 28.11-19. Parece claro que o "rei de Tiro" é uma personagem que simboliza Lúcifer, pois nenhum rei da Terra esteve no Éden, Jardim de Deus.
  Portanto, o Jardim do Éden já existia antes do relato do Gênesis? Se tratamos do jardim onde Adão habitava, não. O que existiu foi um jardim no monte de Deus, na Terra, cujo regente era Lúcifer, o querubim ungido. Esse jardim era ornamentado de pedras mais preciosas do que o ouro. Chegamos a esta conclusão lendo o texto completo em Ezequiel. 
  Lúcifer, o querubim da guarda estabelecido por Deus, era perfeito em seus caminhos desde que foi criado, até que nele se achou iniquidade. Ao que se pode depreender dos textos que a ele se referem, governava sobre a Terra após o ato inicial da Criação, isto é, no período situado entre o primeiro e o segundo versículos do Gênesis. Possuidor de formosura e poder extraordinários, deixou-se possuir pela vaidade e quis transferir o seu trono para o Céu. "Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor", Ez. 28.17.
  Houve guerra no Céu e um terço dos anjos aderiram ao querubim rebelde. João viu estes anjos combatendo na guerra final, ao soar da sétima trombeta (Ap 12.4). Jesus também fez referência a esta guerra, em Lucas 10.18.
  Parece-nos, claro, portanto, embora devamos respeitar opiniões divergentes, que o Jardim do Éden onde habitou o primeiro casal era outro, criado por Deus na obra iniciada em Gênesis 1.3, que restaurou a criação inicial, tornada caótica durante a rebelião levada a efeito por Lúcifer, quando quis transferir da Terra para o Céu a área que lhe cabia reger. O tema nos exorta também à simplicidade, alertando-nos quanto a excesso de poderes que muitas vezes queremos concentrar em nossas mãos e que podem transtornar-nos a vida espiritual.    

  Sempre em Cristo,

  Josebias